Milei encerrou a força-tarefa que investigava o escândalo da Libra e enfrenta pressão da oposição.
O escândalo da Libra voltou ao centro do debate na Argentina. O presidente Javier Milei decidiu encerrar a força-tarefa que investigava o projeto de criptomoeda LIBRA. A moeda digital, promovida por ele nas redes sociais, causou perdas milionárias. Como resultado, a confiança no governo vem caindo rapidamente.
Token promovido por Milei causou o escândalo da Libra
Em fevereiro, Milei compartilhou o token LIBRA em sua conta oficial na rede X. Como era de se esperar, a publicação fez o preço disparar. O ativo saltou de quase zero para US$ 5, atingindo uma capitalização de US$ 5 bilhões. No entanto, em pouco tempo, o valor caiu para praticamente nada.
Milei: I didn’t promote it, I shared it.
— db (@tier10k) February 17, 2025
“I acted in good faith and took a hit,”
“Did the State lose money? No. Did Argentinians lose money? Maybe four or five at most. The vast majority of investors are Chinese and American.”
“I shared this the same way I’ve shared hundreds…
Muitos especialistas classificaram a movimentação como um esquema de pump and dump. Ou seja, um grupo inflaciona o preço de um ativo e depois vende tudo, deixando investidores comuns no prejuízo. O escândalo da Libra afetou mais de 15 mil carteiras. Segundo o Cointelegraph, 86% delas registraram perdas acima de US$ 1.000.
Governo dissolve grupo que investigava o escândalo da Libra
A Força-Tarefa Investigativa (UTI) havia sido criada em 19 de fevereiro. Sua função era apurar possíveis crimes ligados à divulgação do token. Apesar disso, em 19 de maio, Milei e o ministro da Justiça assinaram um decreto encerrando as atividades do grupo.
Embora o governo afirme que a missão foi cumprida, a oposição discorda. Vários parlamentares se mobilizam para instalar uma nova comissão. Eles defendem que a apuração continue, principalmente diante da insatisfação popular.
Declarações de Milei não convencem críticos
Em entrevista ao canal Todo Noticias, Milei tentou se defender. Segundo ele, não houve promoção intencional. “Compartilhei uma ideia com boas intenções”, disse. Ele também afirmou que o objetivo era ajudar pequenos empreendedores.
Mesmo assim, os dados revelam outra realidade. As perdas ultrapassaram US$ 250 milhões. Além disso, milhares de investidores se sentiram enganados. A maioria dos prejudicados estaria fora da Argentina, conforme disse o presidente. Ainda assim, analistas afirmam que a responsabilidade pública não depende da origem das vítimas.
Escândalo da Libra abala a confiança em Milei
Desde a queda do token, a popularidade de Milei está em declínio. De acordo com uma pesquisa nacional, 58% dos argentinos afirmam que não confiam mais no presidente. A principal causa é o escândalo da Libra e a forma como o governo lidou com ele.
Além disso, a dissolução da força-tarefa enfraqueceu a transparência institucional. Com isso, cresce a pressão interna e externa por uma nova investigação. Para muitos, a postura de Milei não condiz com a responsabilidade de um chefe de Estado.
Escândalo da Libra desafia governo Milei
O escândalo da Libra pode se tornar um divisor de águas na política argentina. Embora Milei alegue inocência, o encerramento prematuro da investigação alimenta desconfianças. O caso revela os riscos da união entre política e criptomoedas sem regulação clara. Nos próximos meses, o presidente deve enfrentar consequências tanto no Congresso quanto nas ruas.
