Agentes apreendem criptomoedas e drogas durante operação global de apreensão de ativos digitais.
Uma histórica operação internacional de aplicação da lei resultou na apreensão de ativos digitais e dinheiro em um total de US$ 200 milhões. As autoridades nomearam a ação coordenada como Operação RapTor, e ela levou à prisão de 270 pessoas em 10 países, destacando, assim, a dimensão global do crime cibernético relacionado ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro com criptomoedas.
Apreensão de ativos digitais revela o poder da dark web
A operação envolveu o Departamento de Justiça dos EUA, a Europol e diversas agências de segurança. Como resultado, as autoridades confiscaram mais de duas toneladas de drogas, 144 kg de substâncias com fentanil, 180 armas e centenas de milhões em ativos digitais.
A ação foi conduzida sob a iniciativa J-CODE, que desde 2018 visa combater o uso da internet para o tráfico de opioides. “Esta apreensão internacional histórica salvará vidas”, afirmou a procuradora Pam Bondi. “Criminosos não podem se esconder atrás de telas ou na dark web.” Portanto, a repressão coordenada ganha importância estratégica.
Criptomoedas e fentanil: o elo perigoso
A apreensão de ativos digitais também revela como criminosos utilizam as criptomoedas para operações ilegais. De acordo com um relatório da Chainalysis, cartéis de drogas canalizaram pelo menos US$ 5,5 milhões em stablecoins como USDT para fornecedores chineses de precursores de fentanil. Nesse contexto, a “economia de fentanil em cadeia” ganha contornos alarmantes.
Conforme apurou a TRM Labs, 97% dos fornecedores químicos chineses aceitam criptomoedas como forma de pagamento. Isso confirma que as stablecoins se tornaram parte da infraestrutura central do tráfico global.
Haowang Guarantee e os mercados da dark web
Segundo a Elliptic, os especialistas consideram o Haowang Guarantee “o mercado negro de criptomoedas mais prolífico já visto online”. Essa plataforma traficava USDT lavado, documentos falsos e ferramentas de fraude industrializada. Recentemente, o Telegram retirou o mercado do ar, pois autoridades vincularam a plataforma a mais de US$ 27 bilhões em transações ilegais.
As autoridades identificaram diversos criminosos. Por exemplo, acusaram Pedro Inzunza Noriega e seu filho na Califórnia de usar criptomoedas para lavar dinheiro, em conexão com o Cartel de Sinaloa. Em outro caso, as autoridades indiciaram Behrouz Parsarad por operar o Nemesis Market, enquanto Rui-Siang Lin confessou liderar o Incognito Market, um dos maiores centros de narcóticos da internet.
impacto da apreensão de ativos digitais e próximos passos
A apreensão de ativos digitais nesta escala marca um divisor de águas no combate ao crime digital. Por um lado, o fechamento de mercados ilegais representa um golpe duro contra o tráfico de drogas. Por outro, a rastreabilidade das transações em blockchain mostra que as autoridades expõem os criminosos cada vez mais.
Portanto, as autoridades devem intensificar o monitoramento. Embora a Operação RapTor represente uma conquista inédita, os desafios continuam. A evolução das tecnologias exige respostas igualmente sofisticadas. Se pessoas mal utilizarem as criptomoedas, elas continuarão a alimentar redes criminosas. No entanto, quando indivíduos as utilizam com responsabilidade, essas moedas digitais podem também ajudar a desmantelá-las.
