Terminal de criptomoeda em shopping de Sydney: caixas eletrônicos de criptomoedas agora têm limite de AU$ 5 mil por operação
A Austrália passou a aplicar restrições aos caixas eletrônicos de criptomoedas em todo o território. A medida surgiu após a Polícia Federal e o AUSTRAC identificarem um número crescente de golpes contra usuários. As perdas superaram AU$ 3,1 milhões (US$ 2 milhões) em apenas 12 meses, de acordo com a investigação oficial da AFP. A nova regulação inclui um teto de AU$ 5.000 (cerca de US$ 3.250) para depósitos e saques em dinheiro. Além disso, haverá um monitoramento mais robusto das transações.
As regras foram projetadas para dificultar o uso indevido desses terminais por criminosos e proteger especialmente pessoas com mais de 50 anos, grupo que representa a maior parte das vítimas e transações. Segundo o AUSTRAC, a mudança é essencial diante do crescimento do setor e da sofisticação das fraudes.
“As condições visam impedir que golpistas convençam vítimas a usarem caixas eletrônicos de criptomoedas para transferências rápidas e anônimas”, disse o CEO da agência, Brendan Thomas.
Os operadores desses terminais precisarão seguir padrões mínimos de verificação e relatório. O AUSTRAC recomenda ainda que corretoras de criptomoedas apliquem limites semelhantes quando lidarem com dinheiro em espécie.
Perfil das vítimas revela urgência das medidas
Uma força-tarefa formada em setembro analisou o comportamento de usuários de nove grandes operadores. O levantamento apontou que pessoas acima dos 50 anos são responsáveis por quase 72% de todo o valor movimentado nesses quiosques. Essa faixa etária, segundo os investigadores, está mais exposta a manipulações e fraudes sofisticadas. Muitos sequer percebem que foram vítimas — e, quando percebem, não denunciam por vergonha.
O comandante da Polícia Federal, Graeme Marshall, afirmou que as vítimas são, frequentemente, orientadas por golpistas a procurar um caixa eletrônico de criptomoedas e realizar operações sob pressão. O sistema nacional de denúncias ReportCyber registrou 150 casos entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, mas os dados indicam que esse número pode representar apenas parte do problema.
Diante da gravidade dos relatos, o governo considerou inevitável a aplicação imediata de regras mais rígidas. A ideia é não só interromper atividades ilícitas como também pressionar o mercado cripto a revisar seus mecanismos de proteção ao consumidor.
Adoção acelerada impulsionou alerta regulatório
Até 2022, a Austrália era um mercado discreto no setor. No entanto, em menos de dois anos, o país passou a ocupar o terceiro lugar no mundo em número de caixas eletrônicos de criptomoedas, com 1.819 unidades ativas segundo o Coin ATM Radar. Em agosto de 2022, esse número era de apenas 67.
O crescimento acelerado se deve à entrada de empresas privadas que apostaram na expansão dos terminais. Hoje, a Localcoin lidera com 753 caixas eletrônicos, seguida pela Coinflip com 700 e pela Bitcoin Depot com 182, conforme dados por operadora no Coin ATM Radar. Essa explosão de acessos também está geograficamente distribuída. Um dos terminais em destaque, por exemplo, está localizado no Eastgate Shopping Centre, em Sydney — veja no mapa do Coin ATM Radar.
Para os reguladores, o avanço rápido do setor exige ajustes contínuos. Brendan Thomas afirmou que as regras podem mudar à medida que o cenário evolui. No entanto, reforçou que os padrões mínimos de segurança são indispensáveis para conter crimes e preservar a confiança da população. Veja a distribuição global atualizada de caixas eletrônicos de criptomoedas
