Categoria Política Criptomoedas e sanções russas: esquema bilionário

Criptomoedas e sanções russas: esquema bilionário

Fundador da Evita Pay é acusado de lavar US$ 500 milhões e ajudar bancos russos sancionados a burlar sanções dos EUA por meio de transações com criptomoedas.
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Homem algemado sendo escoltado por agente sombrio, com tanques, bandeiras da Rússia, pilhas de dinheiro e banco ao fundo — representando o uso de criptomoedas para violar sanções internacionais.

Criptomoedas e sanções russas: o caso de Iurii Gugnin expõe como ativos digitais são usados para blindar interesses econômicos e militares.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos prendeu Iurii Gugnin, fundador das empresas Evita Pay Inc. e Evita Investments Inc. Ele enfrenta 22 acusações federais por lavagem de dinheiro, fraude bancária e evasão de sanções internacionais. De acordo com os promotores, Gugnin operava um canal clandestino de transações entre bancos russos sancionados e o sistema bancário dos EUA. Ele movimentou mais de US$ 500 milhões de forma ilícita.

As investigações revelam que, entre junho de 2023 e janeiro de 2025, Gugnin facilitou transações com Sberbank, VTB Bank e Tinkoff Bank. Essas instituições estavam sob sanções severas desde a invasão da Ucrânia. Embora tenha declarado formalmente que suas empresas evitavam vínculos com entidades russas, ele mantinha contas pessoais em bancos sancionados, como o JSC Alfa-Bank. Apesar disso, continuava residindo nos Estados Unidos.

Conforme o relatório do Departamento de Justiça, o empresário recebia criptomoedas de clientes estrangeiros, convertia os valores em dólares e realizava pagamentos por meio de bancos localizados em Manhattan. Para ocultar essas operações, ele falsificava faturas e omitia os nomes de clientes russos envolvidos em negócios com empresas americanas de tecnologia sensível.

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Aliado a isso, buscas feitas por Gugnin em sua própria rede — como “como saber se há uma investigação contra você” — reforçaram a convicção dos investigadores de que o réu tinha total consciência da gravidade de suas ações. Por essas práticas, ele pode enfrentar até 30 anos de prisão por cada acusação de fraude bancária, somando centenas de anos de pena em potencial.

Expansão do uso ilícito de criptoativos

Desde o início da guerra na Ucrânia, a infraestrutura de criptomoedas tem sido cada vez mais explorada para burlar as sanções ocidentais. Segundo a empresa Chainalysis, apenas em 2024, jurisdições sancionadas movimentaram US$ 15,8 bilhões em criptoativos — valor que representa 39% de todas as transações ilícitas com criptomoedas no mundo.

A legalização dos pagamentos com criptoativos pela Rússia, em 2023, evidenciou uma mudança estratégica no uso dessas tecnologias. Ainda que o blockchain ofereça transparência e rastreabilidade, os operadores mal-intencionados buscam constantemente maneiras de mascarar seus rastros digitais. Como resultado, métodos clássicos de evasão, como empresas de fachada e redes descentralizadas de lavagem de dinheiro, continuam em uso frequente.

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Em resposta, autoridades internacionais têm reforçado programas de compliance com base em análise de blockchain. Segundo relatórios da Chainalysis, medidas orientadas por dados estão permitindo identificar padrões suspeitos com mais rapidez, o que já causou um declínio mensurável na exposição de exchanges ocidentais a entidades sancionadas. Portanto, embora o desafio permaneça, as defesas também evoluem.

Garantex, Grinex e o efeito camaleônico das exchanges

O caso de Gugnin ocorre em meio a um cerco crescente a plataformas ligadas à Rússia. A exchange Garantex, por exemplo, foi alvo de uma operação internacional em março. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, ela movimentou mais de US$ 100 bilhões em transações, sendo responsável por 82% dos volumes de criptoativos ligados a entidades sancionadas no auge da atividade. Como parte das medidas, a Tether congelou US$ 28 milhões em USDT da Garantex, uma ação vista como simbólica e estratégica. Veja os detalhes completos neste relatório.

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Pouco tempo depois, surgiram indícios de que uma nova plataforma, a Grinex, seria uma continuação disfarçada da Garantex. A investigação conduzida pela TRM Labs mostra que a Grinex estaria integrando antigos usuários da exchange desativada e redistribuindo ativos por meio da stablecoin A7A5, atrelada ao rublo. Este tipo de transição reforça o efeito “camaleônico” dessas plataformas, que ressurgem com novas marcas, mas mantêm a mesma estrutura de operações ilegais.

A repressão também se intensificou na Europa. Em uma ação coordenada, autoridades alemãs apreenderam 47 bolsas sem KYC voltadas ao público russo, na chamada “Operação Final Exchange”. Essas plataformas funcionavam à margem das regulamentações básicas, facilitando transações anônimas e, muitas vezes, ilícitas. O impacto dessa ação foi significativo, ao desmantelar uma parte relevante do ecossistema de evasão.

Para compreender a extensão das estratégias russas no uso de criptoativos como ferramenta geopolítica, a Chainalysis publicou um relatório detalhado sobre os fluxos ilícitos relacionados a sanções em 2025. O documento reforça que a sofisticação das redes de lavagem de dinheiro exige vigilância constante, cooperação internacional e atualização das ferramentas de monitoramento.

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