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Bitcoin como ativo de reserva ganha respaldo chinês

Think tank estatal chinês discute o uso do Bitcoin como ativo de reserva em meio à perda de força do dólar; Japão e Tailândia avançam com estratégias distintas na Web3.
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Oficial chinês analisa símbolo do Bitcoin com dólar rachado ao fundo e bandeira da China.

Think tank estatal chinês sugere o Bitcoin como ativo de reserva diante da perda de força do dólar.

O Bitcoin está conquistando espaço entre instituições estatais da China, mesmo diante da proibição formal das criptomoedas no país. Em 28 de maio, o Instituto Monetário Internacional (IMI), think tank ligado ao governo chinês, republicou um relatório do Bitcoin Policy Institute. O documento, assinado por Matthew Ferranti, ex-economista da Casa Branca, defende que o Bitcoin pode servir como instrumento de proteção para bancos centrais de países expostos à pressão geopolítica dos Estados Unidos.

Embora a China mantenha rígidas restrições à mineração e negociação de criptoativos, a republicação do relatório com nota editorial é, no mínimo, reveladora. Segundo o IMI, a discussão sobre o Bitcoin como ativo de reserva deve continuar ganhando atenção, sobretudo em um cenário de declínio do dólar como reserva dominante.

Dessa forma, o think tank afirma que a hegemonia do dólar está sendo corroída por déficits fiscais, inflação persistente e queda na rentabilidade dos títulos norte-americanos. Enquanto isso, o ouro enfrenta obstáculos de liquidez e logística, o que tem impulsionado o Bitcoin como uma alternativa plausível para reservas estratégicas em evolução. O próprio IMI reforça que o ativo digital deixou de ser apenas uma aposta especulativa para ocupar espaço no debate macroeconômico global de forma consistente.

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O fato de a instituição estar vinculada à Universidade Renmin — um polo acadêmico diretamente conectado ao Ministério da Educação e ao governo municipal de Pequim — confere maior peso à mensagem. Embora não seja um endosso formal, o gesto político abre margem para que a moeda digital entre gradualmente no radar de decisões econômicas chinesas.

Sony Bank investe em subsidiária Web3 com foco em NFTs e cripto

Enquanto a China inicia um movimento discreto de análise institucional do Bitcoin, o Japão está avançando em passos firmes no universo da Web3. O Sony Bank oficializou a criação de uma subsidiária voltada exclusivamente a soluções blockchain, cuja operação começa no segundo semestre deste ano.

A nova empresa vai atuar de maneira integrada com o Sony Bank CONNECT, um app que une serviços financeiros e entretenimento.A iniciativa foca em NFT, carteiras digitais e integração cripto. Essa abordagem integra uma estratégia mais ampla de inovação liderada pelo grupo Sony no setor financeiro. Desde 2024, a gigante japonesa vem testando stablecoins indexadas ao iene para uso em jogos e pagamentos digitais.

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Esse movimento indica que bancos tradicionais já reconhecem o potencial da Web3 nos serviços financeiros, fortalecendo o processo de institucionalização no setor de ativos digitais. Ao contrário da China, o Japão estimula projetos práticos com ativos digitais e, com isso, amplia sua liderança tecnológica no competitivo cenário asiático da Web3.

Vale lembrar que a Sony já opera o Soneium, uma rede de segunda camada baseada no Ethereum. Essa tecnologia permite à empresa oferecer soluções de blockchain mais rápidas e escaláveis para diversos setores. Portanto, o lançamento da nova subsidiária sinaliza compromisso contínuo com a integração entre finanças tradicionais e tecnologias descentralizadas.

Tailândia avança com G-Token e limita especulação no mercado digital

Do outro lado do continente, a Tailândia também intensifica seus esforços na digitalização financeira, porém com uma abordagem regulatória rigorosa. A Comissão de Valores Mobiliários do país publicou uma nota esclarecendo as regras de uso do G-Token, nova emissão estatal digital, cujo lançamento está previsto para julho.

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O token será usado para financiar o orçamento nacional, com distribuição estimada em US$ 150 milhões por meio de um portal regulado de ICO. Segundo o Bangkok Post, o G-Token não poderá ser transferido entre exchanges, nem utilizado como criptoativo comum. Ainda assim, sua existência representa um passo relevante na evolução das finanças digitais estatais.

Para garantir transparência, o governo tailandês exigirá contratos inteligentes com regras rígidas e limitará as negociações ao mercado primário e secundário sob vigilância direta da SEC. A proposta não busca competir com criptomoedas abertas como o Bitcoin. Em vez disso, foca em oferecer um instrumento digital de poupança, com promessas de maior retorno em comparação a depósitos bancários convencionais.

Essa medida reforça a tendência dos governos asiáticos de adotar tecnologias de registro distribuído, sem necessariamente abrir mão do controle centralizado. Quando colocada em perspectiva com o interesse da China no Bitcoin como ativo de reserva, a decisão da Tailândia mostra que a Ásia está moldando múltiplos caminhos para a integração entre blockchain, soberania monetária e inovação.

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