Presidente sul-coreano pró-cripto em cerimônia de posse.
O novo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, trouxe esperança para o setor de criptomoedas na Coreia do Sul. De origem humilde e trajetória marcada por superações, Lee agora comanda um dos mercados mais ativos de ativos digitais do mundo. Em seu plano de governo, há propostas ambiciosas para impulsionar a regulamentação e a institucionalização das criptomoedas. No entanto, sua gestão começa sob forte escrutínio, envolta em escândalos jurídicos e desafios políticos internos.
Embora criptomoedas na Coreia do Sul não tenham sido citadas diretamente em seu discurso de posse em 4 de junho, após o impeachment de Yoon Suk Yeol, Lee assume com promessas feitas durante a campanha, agora reforçadas pelo recém-formado Comitê de Ativos Digitais do Partido Democrata.
Regulação acelerada e stablecoin nacional
Seu governo quer acelerar a aprovação da Lei Básica de Ativos Digitais (DABA), que propõe uma entidade autorreguladora, regras para stablecoins e autorização de ETFs baseados em criptoativos. A proposta, liderada por Min Byoung-dug, deve ser votada até o fim de 2025. Essa iniciativa busca criar um ambiente mais seguro e confiável para investidores e empresas do setor.
Também há expectativa para que fundos de pensão possam investir em criptoativos, o que representaria um passo ousado em direção à legitimação institucional. Durante sua campanha, Lee defendeu ainda a criação de uma stablecoin lastreada no won coreano, que se diferenciaria do projeto falho da Terra. A nova moeda digital seria centralizada, estável e ligada à moeda fiduciária nacional, promovendo segurança e controle regulatório.
Com isso, a Coreia do Sul poderia liderar a corrida global por moedas digitais de banco central (CBDCs), especialmente em um cenário asiático onde stablecoins atreladas ao won já vêm sendo testadas em parcerias com a indústria do entretenimento, como o K-pop.
Desafios jurídicos e clima político instável
Apesar do entusiasmo crescente com as criptomoedas na Coreia do Sul, o presidente enfrenta cinco processos judiciais. As acusações incluem corrupção, desvio de verbas públicas, suborno por perjúrio, violação da lei eleitoral e envio ilegal de recursos à Coreia do Norte. A primeira audiência está marcada para o dia 18 de junho.
Esse cenário levanta dúvidas quanto à imunidade presidencial prevista no Artigo 84 da Constituição, que impede julgamentos criminais durante o mandato. Contudo, há debates jurídicos sobre se tal proteção se aplicaria a crimes cometidos antes da posse. A resposta a essa questão pode impactar profundamente não só o governo de Lee, mas também o futuro institucional da Coreia do Sul.
Além do campo jurídico, Lee também precisa lidar com um Congresso polarizado. Seus projetos enfrentam resistência da oposição conservadora, que ainda possui influência significativa no parlamento. Por isso, sua capacidade de entregar as reformas dependerá de articulação política e apoio popular constante.
Política externa e segurança cibernética influenciam a agenda cripto
Outro fator determinante para as criptomoedas na Coreia do Sul é o reposicionamento diplomático promovido por Lee. Após sua eleição, Xi Jinping prometeu intensificar os laços com Seul, sinalizando uma aproximação estratégica com a China. Isso contrasta com o distanciamento observado durante o governo anterior. Ainda que mantenha relações sólidas com os Estados Unidos e o Japão, Lee adota uma postura de equilíbrio diplomático, o que pode ampliar parcerias internacionais voltadas à inovação tecnológica e à regulamentação de ativos digitais.
No entanto, os riscos vindos da Coreia do Norte seguem como uma ameaça direta à segurança digital sul-coreana. Hackers norte-coreanos já realizaram o maior roubo de cripto da história, infiltrando-se em empresas por meio de falsos perfis freelancers. Essa realidade pressiona o novo governo a fortalecer a cibersegurança nacional, especialmente em setores estratégicos como o financeiro e o tecnológico.
Lee também promete revisar a política de “uma corretora, um banco”, frequentemente criticada por limitar a concorrência e a inovação. Ao flexibilizar essas regras, o presidente busca dar mais espaço para pequenas corretoras e startups do setor cripto. A medida, se aprovada, poderá descentralizar o acesso a serviços financeiros digitais e estimular a competitividade.
Um marco regulatório cercado de incertezas
Apesar das polêmicas, investidores interpretam a chegada de Lee como um marco positivo para as criptomoedas na Coreia do Sul. A proposta de criar uma stablecoin nacional, permitir investimentos institucionais e aprovar ETFs à vista mostra disposição para colocar o país na vanguarda do setor.
A ausência de menções diretas às criptomoedas no discurso inaugural foi compensada por fortes acenos à tecnologia, incluindo o fortalecimento de setores como IA e fintechs. Ainda assim, o desfecho dos processos judiciais permanece incerto. Pela primeira vez, um presidente sul-coreano assume o cargo já sob acusações criminais, o que pode gerar disputas constitucionais e instabilidade.
No próximo dia 18, a audiência judicial de Lee Jae-myung poderá definir os rumos políticos e econômicos do país. Até lá, a expectativa é de tensão institucional, mas também de esperança renovada por parte do ecossistema cripto, que vê nesta gestão uma oportunidade histórica de consolidação.
