Elite cambojana usa cripto em esquemas fraudulentos.
Um relatório publicado em 16 de maio pela Humanity Research Consultancy (HRC) revelou uma rede alarmante de golpes com criptomoedas no Camboja. De acordo com a investigação, que possui respaldo em análises anteriores da ONU e de empresas privadas de blockchain, altos membros do governo cambojano estariam envolvidos em fraudes transnacionais que movimentam bilhões de dólares anualmente.
Ainda que o país já fosse apontado como área de risco, as novas informações consolidam o Camboja como o possível epicentro global da fraude digital. O relatório expõe uma realidade grave: uma indústria criminosa altamente organizada, que usa stablecoins, canais no Telegram e mão de obra traficada para operar fora dos sistemas financeiros tradicionais
Dessa forma, as descobertas levantam preocupações não apenas locais, mas de impacto geopolítico, já que os golpes vêm se expandindo para regiões como África, América Latina e Oriente Médio. O escândalo, portanto, não se resume a crimes digitais — ele toca em questões de soberania, direitos humanos e segurança cibernética global.
Camboja facilita fraudes com criptomoedas
Segundo o relatório da HRC, a elite política do Camboja não apenas tolera como colabora ativamente com redes internacionais de golpes digitais. A organização acusa figuras-chave do governo, incluindo Hun To, primo do atual primeiro-ministro, de participação direta em fraudes sustentadas por criptomoedas. Ele faz parte do conselho do Huione Group, apontado como infraestrutura central dessa rede ilegal.
A empresa opera a Huione Guarantee, uma plataforma de custódia via Telegram. Desde 2021, ela movimentou mais de US$ 4 bilhões, conforme dados divulgados pelo Tesouro dos Estados Unidos. Além disso, a HRC afirma que Sar Sokha, atual vice-primeiro-ministro, também teria participação financeira em esquemas semelhantes. Isso, por sua vez, reforça a acusação de que o apoio estatal é “sistemático e insidioso”.
Golpes com criptomoedas no Camboja se expandem
À medida que a repressão internacional avança, as fraudes se adaptam. A HRC aponta que o Huione Group lançou sua própria stablecoin, e essa iniciativa amplia a capacidade de processar valores ilícitos sem usar bancos convencionais. Essa inovação permite contornar mecanismos de compliance, dificulta o rastreamento de transações e alimenta redes de exploração humana.
Enquanto isso, os esquemas estão migrando para regiões rurais cambojanas. De acordo com a ONU, as operações antes concentradas em Sihanoukville e Phnom Penh agora se espalham por províncias como Koh Kong, Bavet e Pursat. Novos complexos têm sido erguidos rapidamente desde 2022, o que mostra a consolidação de uma economia paralela alimentada por fraudes digitais.
Telegram, stablecoins e romance como isca
Outro ponto central do relatório são os chamados golpes de abate de porcos, nos quais falsos parceiros românticos ou comerciais manipulam emocionalmente as vítimas. Eventualmente, os golpistas convencem essas pessoas a investir em esquemas fraudulentos baseados em criptomoedas. O Telegram baniu a Huione Guarantee, mais tarde renomeada como Haowang Guarantee, após diversas denúncias de fraude e lavagem de dinheiro.
Conforme revelado em investigação do The Times, a estrutura por trás desses crimes é muito mais sofisticada do que se imaginava. Já o relatório completo da HRC, disponível neste link oficial, mostra como a elite do Camboja participa e lucra com esses golpes.
O futuro sombrio de um paraíso para golpes
Com a infraestrutura montada, apoio político evidente e tecnologia própria, o Camboja caminha para se tornar o maior centro mundial de fraudes com criptomoedas. O silêncio do governo diante das acusações agrava ainda mais a situação. A comunidade internacional, portanto, deve agir rapidamente, antes que esse modelo se torne um padrão replicável em outras nações.
A combinação de tráfico humano, manipulação emocional e uso estratégico de stablecoins representa uma ameaça real e crescente. Assim, entender e combater os golpes com criptomoedas no Camboja é também uma questão de proteger vítimas em escala global.
