Cúpula do Capitólio dos Estados Unidos, sede do Congresso, em Washington, D.C..
O Partido Republicano dos EUA, diante das recentes pressões, dá sinais de flexibilização na condução da Lei GENIUS, proposta que cria um marco regulatório para stablecoins. Nesse contexto, o senador John Thune afirmou que o partido está pronto para ouvir os democratas e incorporar ajustes antes da votação no Senado. Com isso, a medida visa evitar o colapso do projeto, que atualmente enfrenta resistência crescente da oposição.
Republicanos buscam consenso sobre projeto de stablecoin nos EUA
John Thune admitiu a necessidade de concessões para avançar com a Lei GENIUS. Ele reconheceu que os democratas querem mudanças importantes. Em entrevista, Thune declarou estar “esperando para ver o que eles estão pedindo”, numa sinalização direta de que haverá diálogo.
Essa mudança de postura, por sua vez, ocorre após nove senadores democratas emitirem nota conjunta contra a tramitação rápida. Curiosamente, quatro desses parlamentares já haviam indicado apoio em comitês anteriores. No entanto, agora exigem mais garantias sobre segurança, combate à lavagem de dinheiro e supervisão de emissores estrangeiros.
Stablecoins: tecnologia cresce e pressiona regulação
Stablecoins, em essência, são moedas digitais com valor atrelado a ativos como o dólar. Ao contrário de criptomoedas como o Bitcoin, oferecem estabilidade para transações do dia a dia. Nesse sentido, a proposta da Lei GENIUS quer permitir que emissores não bancários operem com respaldo legal, desde que, para isso, mantenham reservas 1:1 em ativos seguros.
O mercado de stablecoins ultrapassa US$ 240 bilhões. Apesar do crescimento, ainda falta uma legislação clara. A nova lei promete fechar essa lacuna e proteger consumidores.
Democratas forçam recuo republicano no projeto de stablecoin nos EUA
A oposição democrata foi decisiva para a mudança de rumo no Senado. Como destacado em matéria anterior da Trackmetria, intitulada Democratas bloqueiam projeto de stablecoin nos EUA, a resistência surpreendeu o setor cripto e ameaçou o avanço da regulação.
Na ocasião, senadores do Partido Democrata criticaram a proposta por não incluir salvaguardas em áreas cruciais, como combate à lavagem de dinheiro, segurança nacional e responsabilização de emissores internacionais. A pressão foi tamanha que forçou os republicanos a adiar a tramitação acelerada da Lei GENIUS.
Agora, diante da necessidade de garantir votos da oposição, o senador John Thune admite a possibilidade de mudanças para atender às exigências democratas. A abertura marca uma tentativa clara de salvar o projeto e evitar mais um fracasso legislativo no setor de ativos digitais.
Votação se aproxima com incertezas e pressão política
Republicanos detêm 53 cadeiras, mas precisam de pelo menos sete votos democratas. A margem apertada aumenta a pressão por acordos. Thune tenta costurar apoio antes do recesso de agosto, quando o Senado entra em pausa.
Se aprovada, a Lei GENIUS será o primeiro marco federal sobre ativos digitais atrelados ao dólar. Por outro lado, a concorrente Lei STABLE, proposta na Câmara, apresenta requisitos ainda mais rígidos. Dessa forma, a disputa entre as duas iniciativas revela uma corrida política por protagonismo na regulamentação do setor.
Futuro das stablecoins depende de consenso bipartidário
A abertura de Thune, portanto, pode destravar o impasse sobre stablecoins no Senado. Ainda assim, o futuro da Lei GENIUS depende do equilíbrio entre regulação e inovação. Enquanto os democratas exigem maior rigor, o mercado clama por segurança jurídica. Em última análise, o desfecho dessa disputa definirá o rumo dos ativos digitais nos EUA nos próximos anos.
